História

HISTÓRIA

O início do Movimento das Assembleias de Deus em Portugal remonta ao ano de 1913, com a chegada a Portugal do missionário José Plácido da Costa. Este era um cidadão Português emigrado no Brasil, país onde aceitou a mensagem pentecostal após contacto com os primeiros missionários pentecostais aí chegados, os suecos Daniel Berg e Gunar Vingren. Trabalhou juntamente com eles de forma intensa na divulgação do Evangelho no Brasil.

José Plácido da Costa decidiu, entretanto, deslocar-se a Portugal, com um propósito missionário, tendo desenvolvido a sua atividade primeiramente na aldeia de Valezim – Seia, onde batizou a crente Maria dos Prazeres Mendes Corveira. O missionário mais tarde mudou-se para o Porto, juntando-se à Igreja Batista da cidade.

Em 1927 Plácido da Costa viaja para a Argentina e, depois, para o Brasil, regressando novamente a Portugal, em 1932 ou 1933, para ajudar o missionário sueco Daniel Berg, que tinha chegado ao Porto em 1932, para estabelecer na cidade a Assembleia de Deus. No entanto, e de acordo com algumas fontes, já existiam alguns crentes pentecostais na cidade do Porto desde 1925.

No ano de 1921 o trabalho evangélico de matriz pentecostal começou a tornar-se visível e a estabelecer-se sólida e definitivamente em Portugal, por Acão do missionário José de Matos Caravela, também ele cidadão Português emigrado no Brasil, e que regressou ao seu país de origem nesse mesmo ano.

O trabalho missionário de José de Matos iniciou-se na Beira Alta e Beira Litoral, com alguns resultados, chegando a fundar uma Assembleia de Deus em Tondela, que daria mais tarde origem ao trabalho em Carvalhal Redondo – Nelas. Em finais de 1923, deslocou-se para o Algarve onde fundou várias igrejas das Assembleias de Deus, designadamente nas cidades de Portimão, em 1924, Lagos e Silves. Mais tarde, esse pastor iniciou outras igrejas no Ribatejo, em Santarém e Alcanhões e no Oeste, em Rio Maior.

 

Desenvolvimento

A partir do ano de 1924, estabeleceram-se igrejas Assembleia de Deus em várias cidades de Portugal, com a ajuda de missionários suecos e com o trabalho esforçado de pastores portugueses, que, entretanto, tinham sido preparados pelos pioneiros estrangeiros, os quais entregaram as suas vidas à causa da obra de Deus e contribuíram decisivamente para o seu crescimento.

Em resultado do envolvimento desses homens e mulheres, portadores da mensagem Pentecostal, foi fundada a Assembleia de Deus de Évora, em 1932, através da ação da evangelista Isabel Guerreiro. Em 1934 nasceu Assembleia de Deus de Lisboa, com a ajuda do missionário Jack Hardstedt, seguindo-se na sua liderança Samuel Nystrom, Tage Stahlberg, Alfredo Machado, João Hipólito e vários outros. Além destas igrejas, em muitos outros pontos de Portugal, em diferentes distritos e cidades de norte a sul, foram surgindo Igrejas Pentecostais Assembleia de Deus.

Além dos já referidos missionários, e iniciadores, da obra de Deus em Portugal, no início do século XX, à que mencionar outros pioneiros distintos do Evangelho, não sendo estes os únicos, cujo relevo é inteiramente merecido: Holger Backstrom, Isabel Guerra, Manuel Ribeiro Fernandes, Beatriz da Ribeira, Lurdes Campos, Rogério Ramos Pereira, Horácio Gomes de Sousa, José Lopes Quedas, Durval Correia, Artur Rodrigues Conde, Jaime Figueiredo, Augusto Henriques, Colin Bowker, Margaret Bowker, José de Oliveira Pessoa, João Chasqueira, Virgílio Condeço, Manuel Cartaxo, Joaquim Cartaxo, Israel Coias Pires, Miguel Coias, José Augusto Pina, Joaquim Cerro Guerreiro, José Neves Ramos e António Dias Gonçalves.

 

Trabalho Missionário

No desenvolvimento da sua própria ação missionária o Movimento das Assembleias de Deus em Portugal deu especial atenção ao trabalho nos territórios portugueses ultramarinos, nomeadamente Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste. Nestes países, após se tornarem independentes, mantiveram-se, e floresceram, igrejas Assembleia de Deus, fruto do trabalho iniciado por pastores portugueses, com as quais se mantêm fortes relações de fraternidade cristã, que se traduzem em apoios distintos: preparação de obreiros, apoio a missionários nos respetivos países, visitas de ensino, envio de géneros alimentícios, vestuário, medicamentos e outros. Outro foco missionário foi a diáspora portuguesa, saindo vários obreiros para pregar e Evangelho aos entre os emigrantes portugueses, especialmente na Europa, Estados Unidos e Canadá.

A título meramente exemplificativo, registam-se as deslocações de vários pastores-missionários, comprometidos com o Movimento das Assembleias de Deus em Portugal, que levaram a mensagem pentecostal a várias partes do nosso país e do mundo. Entre 1941 e 1947, José Lopes Quedas foi missionário na Ilha de São Miguel, nos Açores. No ano de 1947 José Augusto Pina e Joaquim Cerro Guerreiro foram para Moçambique. Em 1949 Joaquim Cartaxo Martins foi para Angola, dando início ao trabalho das Assembleias de Deus ali. Em 1952 José Oliveira Pessoa foi como missionário para a Guiné-Bissau e, ainda nesse mesmo ano, Joaquim do Cerro iniciou o trabalho entre os portugueses residentes na África do Sul.

No ano de 1953, foi a vez de João Chasqueira, e família, trabalharem nos Açores, na ilha Terceira, como missionários. Já em 1959, chegaram à Ilha do Pico, também nos Açores, Miguel Coias e família, os quais, em 1969, se deslocam a Timor-Leste como missionários das Assembleias de Deus. Na ilha do Faial, Açores, através do missionário Albino Duarte de Sousa e família, chega o Evangelho no ano de 1964. Em 1965 Manuel Gonçalves Costa e família, chega à ilha de São Tomé, como missionário das Assembleias de Deus.

Em 1966 Artur da Silva Rodrigues lançou as bases do trabalho em França, que depois se estendeu a outros países da Europa. No ano de 1970 chegou a São Tomé e Príncipe Manuel Joaquim Fernandes e família. Em 1972 iniciou-se o trabalho das Assembleias de Deus na ilha da Madeira por meio da ação de Dinis Pereira e sua mulher Lurdes.

No ano de 1974, chegou a Timor-Leste Virgílio Condeço e família, e a São Tomé e Príncipe Delfim Cordeiro e família. Também em 1969, Israel Pires, em Luanda, dá continuidade ao trabalho pentecostal, retomando a denominação Assembleia de Deus, após isso chegaram lá outros missionários como Manuel Gonçalves Costa, Joaquim Castilho, João Chasqueira, Eusébio Tomás e outros.

Em 1981, chegou a Macau Juvenal Clemente, onde, em 1987, iniciou o trabalho do Desafio Jovem na cidade. Também em 1981, Paulo Branco partiu para Espanha, onde permaneceu até 1994. Em 1992 Abel Tomé e família partem para Macau, tendo-se-lhe juntado o pastor Francisco Roque em 1997; em 1999 o pastor Abel Tomé foi como missionário para Moçambique. Também nesse ano Josefa Rodrigues para a Guiné-Bissau.

Em janeiro de 1994 foi oficialmente criado o Departamento Nacional de Missões (DNM), com o objetivo coordenar o trabalho dos missionários estrangeiros radicados em Portugal ou que pretendam integrar-se nas igrejas portuguesas entre os imigrantes, mobilizar virtuais missionários, aglutinar vontades e recursos financeiros. Além disso, o DNM tinha ainda como alvo manter relações especiais com os departamentos estrangeiros congéneres para partilhar informações de utilidade comum e, eventualmente, envolver-se em ações missionárias em conjunto.

Em outubro de 2017, na Assembleia geral da Convenção, após dois anos de preparação e participação de todas as Regiões na construção do projeto e regulamento, foi criada a AMAD – Agência Missionária das Assembleias de Deus; uma agência missionária com o intuito de motivar o compromisso e envolvência das igrejas com as missões transculturais, através de estratégias e respostas práticas. O DNM ficou com o seu foco direcionado para a área das ‘missões nacionais’, evangelização e solidariedade; e a AMAD está focada na área das ‘missões transculturais’ e relações internacionais com os Departamentos de Missões congéneres, Departamentos de Missões da SEAGF – Southern Europe Assemblies of God  Fellowship (Comunhão das Assembleias de Deus do Sul da Europa), Departamentos de Missões das WAGF – World Assemblies of God Fellowship (Comunhão Mundial das Assembleias de Deus), bem como o elo de ligação para os missionários estrangeiros que vierem a servir em Portugal. O missionário Daniel Taylor foi então eleito para a função de Diretor da AMAD e os pastores Alexandre Samuel Lopes, Paulo Gomes, João Carvalho e João Estevão, funcionaram como Comissão de Transição até à eleição da futura Direção da AMAD, conforme regulamento aprovado.

 

Trabalho Social

Ao longo dos anos da sua história, foram criados dentro do Movimento das Assembleias de Deus, orfanatos, lares da terceira idade, cafés convívio para atendimento aos toxicodependentes e seus familiares, fundações, associações várias que visam a ação social em concreto, quer em relação aos membros das Igrejas quer aos cidadãos em geral. Em particular no que concerne à toxicodependência, não tendo Portugal escapado a esse flagelo do século XX, a Convenção das Assembleias de Deus em Portugal convidou, no Verão de 1977, o reverendo Howard Foltz, que desempenhava, à época, as funções de Diretor do Teen Challenge Europe (Desafio Jovem Europa), para fazer uma apresentação do trabalho que tivera a sua origem na ação do reverendo David Wilkerson, nos Estados Unidos da América, em 1959.

Diante da necessidade de dar apoio nessa área, as Assembleias de Deus decidiram deitar mãos à obra, adquirindo uma propriedade em Fanhões, Loures, e constituíram uma equipa, Comissão Executiva, para liderar o trabalho constituída pelo pastor José Oliveira Pessoa, como presidente, pastor José António Lourenço, como vice-presidente, pastor António Costa Barata, como secretário, pastor Domingos Barradas, como tesoureiro, e designaram Diretor Nacional o evangelista Lucas da Silva.

Em 1981 foram concluídas as obras da primeira fase do Centro de Recuperação, que começou então a funcionar. Abriu-se também um centro “Café Convívio” na Rua Marques da Silva, em Lisboa para atendimento. A Instituição Desafio Jovem deixou, entretanto, de ser um Departamento da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal para assumir personalidade jurídica própria. Hoje mantém acordos de cooperação com as igrejas que o desejarem.

No âmbito do apoio a crianças órfãs ou abandonadas, nasceu o Lar de Betânia, em18 de abril de 1965, no Monte do Pintainho, aquando de uma grande tribulação na família do Pastor Mário Cóias, o qual pastoreava a igreja da Assembleia de Deus em Estremoz. A esposa do pastor Mário estava gravemente enferma e, no dizer do médico assistente, não haveria muitas esperanças de cura. Debaixo dessa dificuldade apenas uma solução poderia ser encontrada, isto é, suplicar a intervenção de Deus. Na oração do pastor disse “Senhor não me deixes ver os meus filhos órfãos de mãe, à semelhança de tantos outros, e se Tu curares a minha mulher eu irei criar um Orfanato para acolher crianças necessitadas”. Então o Médico dos médicos ouviu a súplica, e deu a Sua resposta com o milagre desejado. Obviamente, nessa ocasião, só havia uma coisa a fazer, ou seja, cumprir a promessa.

Assim o trabalho teve início na sua própria casa, no citado Monte do Pintainho. Em 1970, passou a sua atividade para Quinta das Sequeiras, cuja propriedade foi ofertada por um cristão inglês, estando desde então nesse local. Ao longo dos anos foram necessárias diversas obras de remodelação e ampliação do espaço, a fim de poder dar-se continuidade ao trabalho de uma forma mais exequível. Em 1985 este Lar alargou a sua esfera de ação, com a abertura de uma Filial em Vendas Novas, situada no Bairro Marconi, destinada a acolher unicamente meninas adolescentes. Posteriormente em 1993, transferiu-se para o Bairro 20 de Maio com construção de instalações, iniciadas três anos antes, e hoje em dia acolhe especialmente crianças e adolescentes institucionalizadas pela Segurança Social. São hoje uma Instituição Particular de Solidariedade Social (I.P.S.S.).

 

Ensino bíblico e preparação de obreiros

A primeira Escola Bíblica do Movimento Pentecostal foi fundada na cidade de Lisboa, em 1942. Para a frequentar, de vários pontos do país, vieram jovens, professores das Escolas Dominicais, evangelistas e Obreiros consagrados à Obra de Deus. Essa Escola Bíblica, na rua Almirante Reis foi dirigida pelo missionário sueco Tage Stählberg.

No dia 13 de janeiro de 1966 foi criado o Instituto Bíblico Nacional, que visava a preparação de obreiros para servirem as igrejas e atenderem às necessidades da evangelização. Em 1972 a Convenção das Assembleias de Deus em Portugal solicitou a ajuda das Assembleias de Deus dos Estados Unidos da América, para estruturar um Instituto Bíblico com outra amplitude e uma formação adequada às necessidades. O Missionário Samuel Johnson foi enviado e foi adquirido um espaço adequado, passando o Instituto Bíblico a funcionar em novas instalações, em Fanhões – Loures, tendo a respetiva inauguração ocorrido em outubro de 1975.

Em janeiro de 1989, foi criada a Escola Bíblica Nacional, a qual posteriormente veio a denominar-se, Instituto Bíblico da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal, com o mesmo objetivo fixado em 1966: preparar obreiros para responderem às necessidades da Obra de Deus quanto à evangelização e ao ensino da Palavra de Deus.

Em 2007, foi decidido fundir os dois Institutos Bíblicos existentes (IBAD e IB-MECCE) para dar origem ao Monte Esperança Instituto Bíblico (MEIBAD), ficando situado em Fanhões, Loures, que é atualmente uma escola de formação de homens e mulheres que desejam servir a Deus.

 

Publicações

A página impressa foi utilizada desde sempre pelo Movimento, promovendo a evangelização, divulgando o ensino e estabelecendo o relacionamento de unidade entre as igrejas e os pastores. Além de revistas, foram publicados livros de autores portugueses e estrangeiros, hinários, calendários, folhetos vários, entre várias outras publicações.

Logo em 1940 foi editada a revista Estrela do Natal, com a tiragem de 800 exemplares; no ano seguinte, foi editada a revista Salvé Natal, com a tiragem de 1200 exemplares.

Em outubro de 1942 foi editada a revista Novas de Alegria, como órgão oficial do Movimento das Assembleias de Deus em Portugal, cujo primeiro Diretor espiritual foi o missionário Tage Stählberg. Esta revista tem-se publicado mensal e ininterruptamente, até ao presente. A Casa Publicadora das Assembleia de Deus nasceu no ano de 1943, naturalmente de uma forma muito simples, como quase tudo que nasce. Na sua ascensão passou por algumas vicissitudes até estacionar na sua atual sede, em Lisboa, na Avenida Almirante Gago Coutinho.

Outras publicações que que se destacam são: o Expositor Dominical, cujo primeiro número é de 1965; a Boa Semente, destinada às crianças, divulgada pela primeira vez em 1948 e que ainda se publica na atualidade; o Caminho, revista destinada aos jovens e que foi publicada de 1965 a 1979; a BSteen, que em 2002 aparece como uma secção da revista Boa Semente mas em 2008 se torna uma revista autónima, virada para a faixa etária de adolescentes.

As Edições NA, marca editorial da Casa Publicadora, têm por apanágio a publicação de autores nacionais, e nos últimos anos apostou em literatura para adolescentes e crianças, ensino sistemático das Escrituras, devocionais, testemunhos, etc. Anualmente edita o Calendário Maná do Céu, que inclui uma folha destacável com um texto bíblico para cada dia do ano e pensamentos subordinados a uma temática mensal. Edita-se também o hinário Cânticos de Alegria, uma coleção de 526 hinos. Atualmente a Casa Publicadora tem uma livraria física em Lisboa e está também presente na internet através da sua loja online e das principais redes sociais, disponibilizando títulos das principais editoras evangélicas brasileiras e nacionais.

 

Bibliografia: BARATA, António C., MARTINEZ, Fernando, PARREIRA, João Tomaz, Línguas de Fogo – História da Assembleia de Deus em Lisboa, Lisboa, CAPU, 1999; BRANCO, Paulo, História das Assembleias de Deus em Portugal. www.cadp.pt, publicado em 2013; BRANCO, Paulo, Panorama Pentecostal das Assembleias de Deus em Portugal. Lisboa, CAPU, 1981; BRANCO, Paulo, 90 º Aniversário Convenção das Assembleias de Deus em Portugal (1913-2003), Almada, CADP, 2003; BRANCO, Paulo, Pentecostes un Desafio al Mundo, Cádiz, Edição de autor, 1994; NEVES, José, MARQUES, Francisco, MENDES, Victor, 40 Anos Assembleia de Deus Aveiro, Aveiro, A. Deus de Aveiro, 1999; SANTOS, Agostinho Soares dos, Pequeno Historial da Assembleia de Deus do Porto, Porto, A. Deus Porto, 1991; STAHLBERG, Tage, Milagres de Deus em Portugal – Ingrid e Tage sua vida e obra (1938-1978). Lisboa, CAPU, 2002.